6.3.2006

Apreciação do Orçamento 2006 da FPV

Uma vez mais, o orçamento apresentado para apreciação assume uma forma nem sempre clara que dificulta a sua apreciação, situação essa agravada pelo facto de até à corrente data não terem sido prestadas contas sob o mesmo modelo, situação que esperamos ver este ano corrigida conforme foi deliberado em Assembleia Geral passada.

De qualquer forma, tentámos fazer uma análise comparativa entre o orçamento apresentado em 2005 pela actual Direcção e o apresentado hoje (que encerra algumas alterações estruturais que presumimos tenham origem em orientações das entidades oficiais), sob o pressuposto que os dois documentos encerram os princípios que norteiam em cada ano a actividade da FPV.

Com este pressuposto, cumpre-nos fazer as seguintes observações:

111 Enquadramento Administrativo
É de louvar a preocupação manifestada na contenção de despesas nesta área, sendo de realçar que o peso desta rubrica não tem correspondido a um funcionamento eficiente do organismo federativo, pelo que urge tomar medidas sérias neste campo.

112 Consumos Administrativos
Também nesta valor é de aplaudir a preocupação demonstrada com a redução do endividamento bancário em € 151.946,46, que atingiu valores incomportáveis e comprometedores da actividade saudável da Federação.

122 Apoio a Agrupamentos de Clubes de Vela (Actividade Regional)
Não é perceptível, que face ao objectivo que tem sido sublinhado por diversas vezes pelo actual elenco directivo, que esta rúbrica não veja espelhado o princípio da regionalização. De facto, e salvo melhor opinião, vemos os valores atribuídos à actividade regional reduzidos face às intenções manifestadas no ano transacto. Esta matéria merece melhor explicação.

123 Apoio a Clubes - Coordenação e Programas de Escolas de Vela
Finalmente vemos privilegiada, embora de uma forma um pouco insípida, o fomento e harmonização do ensino da vela. Contudo, uma vez mais e inexplicavelmente, vemos o princípio de centralização implementado, já que esta actividade prevê como intervenientes a FPV e os Instrutores/Treinadores, sem qualquer intervenção das Associações Regionais que promovem a formação.

124 Apoio a Deslocações de Velejadores ao Estrangeiro (Representações Nacionais)
Muito embora seja referido que a comparticipação da Federação ascende a 25% do valor estimado para a participação de uma tripulação, não entendemos muito bem o crescimento substancial desta verba, com a inclusão da participação em eventos de classes pouco expressivas na actividade nacional (cujo valor envolvido não conhecemos). É de questionar este valor no actual quadro financeiro da FPV.

13 Dirigentes em Organismos Internacionais
Registamos o aumento significativo destes encargos. Será que existirá um aumento significativo das reuniões a nível internacional? Gostaríamos de conhecer a razão.

14 Desenvolvimento Didáctico
É de louvar a intenção de promoção de manuais, e de outro material de apoio à formação, elementos que pela sua falta têm contribuído para um difícil desenvolvimento homogéneo da modalidade a nível nacional, impedindo muitas vezes uma actuação mais efectiva das Associações Regionais na área da formação.

15 Marketing e Comunicação
Sendo certo que tem faltado à vela uma verdadeira promoção, registamos o aumento significativo destes encargos cuja sua aplicação gostaríamos de conhecer.

2 Enquadramento Técnico
Registamos a contenção destes gastos que nos parece salutar, já que não víamos no anterior quadro uma rentabilização efectiva dos meios empregues.

3 Apetrechamento
É de registar o elevado investimento previsto na aquisição de equipamento que poderá melhorar significativamente o apoio dado à prática da vela a nível nacional, dependendo da gestão que será dele feita. Julgamos que estes equipamentos, não deverão ser centralizados, mas antes distribuídos pelas Associações Regionais cuja gestão e manutenção assegurarão segundo verbas préviamente atribuídas pela FPV, permitindo uma utilização mais intensiva dos mesmos, e uma redução em custos de transporte.

4 Alta Competição e Selecções Nacionais
É de sublinhar o crescimento desta verba, cuja validade não dispomos de meios para julgar. No entanto, não vislumbramos a razão pela qual está incluída neste projecto, a participação da Classe Vaurien.

7 Formação de Recursos Humanos
Congratulando-nos com o crescimento desta verba numa área que julgamos fulcral para o desenvolvimento da modalidade, registamos que, certamente por lapso, não é mencionada nesta projecto a participação das Associações Regionais. Gostaríamos igualmente de sugerir que as formações não deverão ficar exclusivamente pelo primeiro nível de treinadores e de juízes e oficiais de regata, mas abranger outros níveis.

9 Projecto Pequim 2008-2012
Compreendendo que o aproximar de Pequim leva ao reforço das verbas para este objectivo, consideramos contudo o mesmo excessivo.

Conclusão

Globalmente, julgamos existirem sinais positivos na estrutura orçamental, apesar de considerarmos manterem-se premissas que têm hipotecado o salutar desenvolvimento da modalidade.
Uma aposta excessiva na alta competição em detrimento da formação e promoção da prática generalizada da vela, com reflexo na escassa valorização e apoio da actividade regional, conduz à impossibilidade de uma captação válida de novos valores, impele a dificuldades de actuação das Associações Regionais no apoio ao desenvolvimento estruturado da actividade dos Clubes de Vela, não contrariando a evolução fortemente negativa que a modalidade vem registando nos últimos anos com o decréscimo da actividade dos Clubes.
Julgamos pois que deverão ser repensadas as prioridades definidas.

ASSOCIAÇÃO REGIONAL DE VELA DO CENTRO

4 de Março de 2006

 
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