25.10.2006
Recuperação das pinturas da Exposição do Mundo Português (1940)
Pedro de Noronha - o pintor que está devolver a vida aos painéis alusivos aos Descobrimentos
A ARVC está actualmente a recuperar dois painéis pintados ilustrativos da história portuguesa que foram criados para a Exposição do Mundo Português de 1940. As duas obras “Viagem de Diogo Cão na Costa e Interior de África” e “Bartolomeu Dias e Pero da Covilhã” estão situadas num dos antigos pavilhões da Exposição, na Doca de Belém, que actualmente serve de instalações à ARVC.
Em função da necessidade das pinturas alusivas aos Descobrimentos necessitarem de obras de restauro urgentes, a ARVC decidiu por sua iniciativa investir na sua recuperação. A missão está a cargo do pintor Pedro de Noronha, um português licenciado em Belas Artes na Bélgica que conjuga o seu amor pela história e pela pintura.
Pedro de Noronha tem restaurado ao longo dos anos, diversas pinturas ancestrais em Igrejas, sendo ainda o responsável por alguns dos mais belos cenários decorativos em hóteis, caso do Ritz e do Hotel D. Pedro, em Lisboa. Este artista dedica-se ainda à cenografia, tendo em agenda várias exposições de pintura, as próximas a decorrerem em Lisboa e Évora.
Vive entre Portugal e Marrocos, é casado com uma alemã, Carlota de Noronha – que o auxilia nos seus trabalhos de restauro – e é, acima de tudo, um cidadão do Mundo e o homem dos sete ofícios. «Já fiz de tudo um pouco, fui cozinheiro, mestre de obras e muitas outras coisas. Fiz Belas Artes na Bélgica, com o apoio de um programa da ONU mas é a efectuar obras destas que se aprende a trabalhar», afirma Pedro de Noronha.
«Estes painéis estavam a precisar de intervenção urgente. O meu trabalho passa por procurar repor a sua originalidade e torná-lo o mais similar possível com a pintura inicial. Partes da obra estavam imperceptíveis e até com alguns buracos. Esta recuperação, porém, coincidiu com um facto curioso, embora de lamentar. As tintas originais das pinturas são da Casa Varela e aí fui adquirir as tintas para a recuperação. O facto de ter encontrado produtos da mesma qualidade e cor permite que um trabalho que de outra forma poderia durar três meses possa ser concluído em quatro semana ou pouco mais. Porém, no dia em que fui comprar mais tinta branca fiquei a saber que a Casa Varela iria fechar definitivamente por estar a passar dificuldades económicas. É coincidência que no ano da recuperação destas pinturas a Casa que fabricou as tintas especialmente para o evento tenha de encerrar...» Adianta: «A vantagem de ter encontrado as tintas originais é que permite tornar os paíneis originais, as tintas mais recentes são mais amoniacais, mais brancas e é difícil descobrir o tom certo».
As pinturas estão aos poucos a adquirir vida e cor, enchendo o pavilhão da Doca de Belém. «O principal problema em manter bem conservados os painéis são a humidade e as infiltrações que existem no pavilhão. Para os restaurar tirei fotos inicialmente de forma a preservar a pintura original – apesar de ter havido um restauro em 1969 e de provavelmente algumas partes já não serem as inciais – procurei em documentos vários sobre a Exposição do Mundo português se havia fotos mas não encontrei quase nada. No final, volto a tirar fotografias para comparar e ver o antes e o depois. É um trabalho absorvente», concluiu Pedro de Noronha.
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